NATAÇÃO – NOVIDADES TECNOLÓGICAS, SIM OU NÃO.

Ainda antes das Olimpíadas vai acontecer em Manchester o Campeonato Mundial de Piscina Curta (as de 25 metros), e no Congresso Técnico deste Mundial dois temas polêmicos serão discutidos, e, se aprovados, serão usados já para as provas de Pequim.

            O primeiro tema, que já é discutido a um bom tempo e que alguns outros esportes já adotaram, trata das filmagens subaquáticas das provas de natação.

A idéia surgiu quando as câmeras das equipes de televisão das Olimpíadas de Atenas flagraram o japonês Kosuke Kitajima, vencedor oficial das duas provas de nado peito, realizando ondulações consideradas irregulares pelos árbitros.

            O problema é que apesar das imagens estarem sendo transmitidas ao vivo para o mundo todo, os árbitros não as podem considerar. Sequer podem ver essas imagens durante a competição. Como conseqüência, não podem desclassificar o nadador faltoso.        

            No nível de natação dos atletas olímpicos, qualquer detalhe pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. No caso da prova de 100 metros nado peito em Atenas, a chegada do segundo colocado foi a apenas treze centésimos de segundo depois do primeiro. Por isso, por essa mínima fração de tempo, podemos afirmar que as irregularidades cometidas pelo atleta japonês lhe deram a vitória.

            Em resumo, o atleta do Japão roubou na prova, o mundo inteiro viu, menos os árbitros. Não dá pra engolir.

            Então, a FINA (Federação Internacional de Natação Amadora) decidiu usar os recursos eletrônicos neste Campeonato Mundial de Manchester, e, se considerar o resultado dessa tecnologia como satisfatório, usará câmeras de TV em todas as raias, e aí o vencedor será o que nadar mais rápido DENTRO DAS REGRAS.

             O outro tema polêmico que será discutido em Manchester é relacionado aos novos blocos de partida instalados pela Omega no Water Cube, o local das provas de natação, inaugurado esta semana em Pequim.

            De uns poucos anos para cá, cada dia mais atletas da natação fazem opção de dar a saída com um dos pés recuados, como nas largadas das provas de atletismo.

            O novo bloco da Omega vem privilegiar os nadadores que já optaram e tem treinado suas saídas desta forma, pois possuem um pequeno degrau inclinado regulável que proporciona total apoio ao pé recuado. Segundo o fabricante do equipamento, seu produto permite que se ganhe até 10 centésimos de segundo apenas na largada, o que é muito bom, e os nadadores que ainda não se adaptaram, tem ainda alguns meses para treinar.

            Porém, a Omega não possui muitas unidades deste equipamento, e se dispõe a oferecer apenas duas unidades para cada pais, e é aí que está o problema, pois nem todos os nadadores vão competir tendo treinado com as mesmas ferramentas.

             Na minha visão, o uso da tecnologia é sempre bem vindo, mas às vezes, apesar da inegável vantagem do uso de um novo equipamento, temos que ceder por algum tempo até implantar o novo sistema.

            No caso das câmeras de TV subaquáticas, espero que sejam usadas em Pequim, pois todos os nadadores serão contemplados, mas com relação ao novo bloco de partida, acho que podemos esperar um pouco mais para ganhar esses 10 centésimos.

 

 
  Publicado em 09/02/2008  
 
 
 

A foto acima é mostra uma nadadora treinando no novo bloco de partida da Omega, durante o evento teste em Pequim, no início de fevereiro.