OVERDOSE DE TRANSMISSÃO

Estamos pela primeira vez recebendo a transmissão INTEGRAL de um campeonato mundial de natação ao vivo (vai até domingo de manhã). Desde as eliminatórias, às 21 horas, até as finais e semifinais às 6 da manhã.

Este privilégio tem mais uma característica interessante, pois nós aqui no Brasil estamos vendo o que nenhuma emissora dos Estados Unidos da América está transmitindo. Segundo as informações, lá mostram apenas as finais, e em vídeo tape. E olhe que eles estão ganhando quase tudo!

Deixo aqui meus entusiasmados agradecimentos à SporTV por nos proporcionar imagens nunca vistas por aqui.

Mas até eu, fanático pelo esporte, estou achando um exagero. Só as semifinais e finais ao vivo estava bom demais. O que estamos assistindo nas eliminatórias é uma interminável seqüência de séries de uma mesma prova, lotadas de nadadores de nível inferior, e, quando finalmente chegam as séries principais, os melhores nadadores simplesmente completam a prova, antecipadamente certos de sua classificação para a próxima fase, pois são os dezesseis melhores que vão prosseguir.

E é nesta outra fase, a semifinal, que “a onça começa a beber água”, e todos têm que fazer força, pois só oito vão continuar.

Na final, então, aí é um absurdo. Recordes seguidos de mais recordes, e a consagração definitiva do nadador americano Michael Phelps, que até agora, quando escrevo esta matéria, nadou quatro provas e conquistou quatro medalhas de ouro e três recordes mundiais. Absurdo. Na linguagem de hoje, “IRADO”!

O fato é que mudei minha rotina, pois a mais de trinta anos não acordava uma semana inteira antes das seis da manhã.

Mas nem tudo são flores. Os dois comentaristas escolhidos pelo SporTV estão atuando mal. Ricardo Prado, grande nadador do passado, prata olímpica e ex-recordista mundial não conhece os atletas atuais nem as mais recentes regras da natação, e só comenta fatos que aconteceram no tempo em que ele ainda nadava. Da competição mesmo, pouco ou quase nada além do óbvio.

O outro, Raphael Mosca, nadador ainda em atividade, que também atuou na Seleção Brasileira em Olimpíada, tem uma dicção muito ruim e não consegue transmitir a idéia, perdendo-se completamente dentro do assunto.

Traçando um paralelo, seria como se o Casagrande, comentarista de futebol da Globo, ficasse a todo momento falando de Sócrates e Vladimir, e seu companheiro de comentários fosse o Tevez, aquele argentino que falava, falava e ninguém entendia uma palavra...

Então estamos recebendo uma overdose de natação pela TV, e o tiro pode sair pela culatra. Quem não curte tanto ou não conhece muito sobre natação fica enfastiado com a interminável seqüência de series comentadas por quem parece não estar assistindo o mesmo canal. Certamente esse telespectador vai mudar e assistir o Big Brother Brasil.

Bom mesmo é assistir as provas da manhã, onde todos os nadadores estão suando sangue.

Ah, mas abaixe o som, pois o silêncio é muito mais útil do que os comentários ao vivo.

 

 
  Publicado em 31/03/2007