TROFÉU MARIA LENK – Equipes, tempos, modelos e seleção do PAN

Durante toda a semana passada o Rio de Janeiro foi palco da maior competição da natação brasileira, o Troféu Brasil, agora rebatizado como Troféu Maria Lenk.

Quando falo em maior competição do Brasil, digo em vários sentidos, pois ali se degladiam as maiores equipes do país com suas forças máximas, e seus atletas se encontram no melhor da forma física. No modo de falar da natação, os atletas se apresentam “polidos e raspados”. Polidos no sentido de estarem mesmo no máximo do seu brilho, e raspados no real sentido da palavra, pois quando estes nadadores chegam ao grande evento para o qual focaram todo seu o treinamento, raspam todos os pelos do corpo, pois o contato da água direto com a pele aumenta a sensibilidade, e conseqüentemente a velocidade (ou pelo menos a sensação de velocidade).

E eles estavam mesmo “polidos e raspados”, pois o Troféu Maria Lenk era a última oportunidade de todos para garantir uma vaga na seleção do Pan.

Pudemos assistir a grandes performances, como as de Thiago Pereira, com três recordes sul-americanos e cinco índices olímpicos. Vimos pela primeira todos os atletas da final dos 400 livres nadando abaixo dos 4 minutos, e também pudemos observar a triste situação da natação do Rio de Janeiro, antes a maior força do país, que não colocou nenhum atleta de seus clubes na seleção. E mais incrível ainda: As equipes do Rio conquistaram apenas uma medalha de bronze em toda a competição.

O troféu Maria Lenk traçou o atual quadro na natação brasileira, e mostra a força de São Paulo, com Pinheiros, UNISANTA, Corinthians, SERC e UNAERP, todas equipes de São Paulo, fazendo respectivamente, primeiro, segundo, quarto, quinto e sexto lugares na competição. Em terceiro ficou o Minas Tênis Clube.

Também notamos o crescimento do modelo americano de praticar esportes de competição, com a UNISANTA e a UNAERP melhorando sua performance. Parece que o caminho é este, pois o modelo europeu, onde o esporte está concentrado nos clubes se mostra um pouco desgastado, sem dinheiro suficiente ou com sua vocação migrando apenas para atividades sociais.

As universidades possuem mercadoria de troca com os atletas, que merecem e precisam estudar, ter uma profissão, pois nadar ainda não dá dinheiro. Além disso, estas escolas associam os resultados positivos dos seus atletas à imagem de uma equipe vencedora, agregando valor ao seu produto e por isso atraindo ainda mais alunos. Acho isso bom. Saudável para o esporte.

E então formamos a seleção do PAN DO BRASIL. Nada de política, de protecionismo, de  conchavo ou camaradagem. Formamos uma seleção por merecimento. Foram várias as oportunidades para se obter os tempos necessários, e o Troféu Maria Lenk foi apenas a última. Ninguém tem direito de dizer que foi injustiçado. Apenas os dois melhores de cada prova estarão lá. Este foi o critério, e foi o melhor critério.

E o nosso time ficou assim: 27 atletas de São Paulo, 5 de Minas Gerais, 2 de Pernambuco, e um de Santa Catarina. Impressionante como, se visto por este ângulo, o mapa do Brasil é pequeno !

 

E mais dois nomes merecem destaque:

No Maria Lenk despontou mais uma promessa: Henrique Martins, atleta da Fonte São Paulo, de Campinas, de apenas 15 anos, atleta juvenil, conseguiu o 4º lugar na prova de 100 borboleta, sendo nome certo nas futuras seleções brasileiras absolutas. Ele esteve em São João no final do ano passado, quando realizamos um Torneio Regional na piscina da Esportiva, e César Cielo Filho, o maior velocista brasileiro da atualidade (em breve direi “de todos os tempos”), que não veio para o Maria Lenk, pois estuda nos EUA e seus resultados não poderiam ser alcançados por nenhum nadador do Brasil, estará disputando o Campeonato Paulista no Tênis Clube de Campinas entre os dias 17 e 20 deste mês. Vale a pena ir até lá para ver.

 

 
  Publicado em 12/05/2007  
 
 
  Comentário -

Ao contrário do muitos pensam, o Troféu Maria Lenk não foi disputado no Complexo Maria Lenk, como estava previsto, mas que não havia ficado pronto ainda. Ele foi disputado no Julio DeLamare, sede dos maiores eventos de nataçào da história do Brasil e onde o COB gastou 6 milhões de Reais para reformar para os jogos de Pólo Aquático do Pan.

No início de 2008 os goveranates do Rio de janeiro declaram a demolição do Complexo Aquátiico Julio DeLamare para aumentar o estacionamento do Maracanã, contrariando todas as regras modernas de urbanismo.

Na foto do Google Earth, pareceque a piscina de saltos está vazia.