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Winnipeg, Canadá, 1999. - UMA CURIOSA HISTÓRIA DO PAN Já há alguns anos a tecnologia eletrônica permite saber com exatidão quem venceu uma prova de natação, e, mais recentemente, até quanto tempo um atleta leva para reagir a um sinal de largada ou a uma transição de revezamento. Michael Phelps, o melhor do mundo hoje, reage a perto de 0,65 segundo na saída. Nos revezamentos a troca dos atletas é feita mais rapidamente, pois o atleta que vai sair já pode estar se movimentando antes da chegada do companheiro. Só não pode “decolar” (ou descolar, como dizem alguns) do bloco antes do parceiro tocar a borda. Em 1999, no Pan de Winnipeg, no Canadá, o revezamento 4x100 medley do Brasil ia nadar com Massura de Costas, Pessoti de peito, Mangabeira de borboleta e Scherer (Xuxa) de crawl, e este grupo treinou sistematicamente a transição dos nadadores, e cada um sabia exatamente como seu parceiro iria chegar para iniciar o seu procedimento de saída o mais rápido possível dentro da regra. O normal em revezamentos é algo como 0,3 ou 0,2 segundo. Nos primeiros dias de competição, o melhor brasileiro na prova de 100 metros nado peito não foi o Pessoti, como previsto, mas Marcelo Tomazinni, que bateu o recorde Sul Americano desta prova, e com a vitória ganhou também o direito de nadar o revezamento medley brasileiro. Porém Tomazzini não havia treinado a transição com o resto do time. Gustavo Borges, que havia perdido os 100 livres para o Scherer, e por isso não nadaria nenhuma prova neste dia, não foi ao parque aquático. Foi passear, conhecer a cidade. Nas eliminatórias, pela manhã, o Brasil ficou em quarto lugar, muito perto da equipe de Cuba, sendo que Estados Unidos e Canadá ficaram em primeiro e segundo, e nossa seleção considerava que poderia fazer um terceiro lugar na final, vencendo Cuba. Mangabeira, nosso atleta do nado borboleta, não nadou bem na eliminatória, e informou aos dirigentes que não estava se sentindo forte, e poderia comprometer o revezamento que nadaria a final à noite. Neste mesmo momento o Diretor Técnico da CBDA, Ricardo de Moura, consultou os demais técnicos da equipe e decidiram mudar a formação do time na final. Saindo Mangabeira, passando Scherer para o nado borboleta, e entrando Gustavo Borges no Crawl. Porém Gustavo, que tinha ido passear, não sabia desta alteração, e só foi informado que nadaria a prova no final da tarde, ainda na Vila Pan Americana, tendo que se deslocar até a piscina rapidamente, e quase não deu tempo de chegar. Pelas regras, não haveria mais possibilidade de substituição de algum atleta. Mas deu tempo, e a equipe foi nadar a final. Pela ordem, Massura, Tomazzini, Scherer e Borges. Brigariam então com Cuba, pois os americanos e canadenses seriam inalcançáveis. Dada a largada, e contrariando as expectativas, Massura vinha chegando na frente, e Tomazzini, que sairia junto com o maior nadador de peito do mundo na época, Ed Moses, confessou estar “meio apavorado”. Na transição Tomazzni imaginou que seu parceiro chegaria com a mão esquerda, e iniciou o movimento de largada prevendo isso, mas no último momento o Massura trocou de mão. Já era tarde, não havia mais como Tomazzini se segurar, e saiu. Saiu nadando forte e pensando “queimei, desclassifiquei a equipe”. Depois de sua chegada, ainda com Scherer na piscina, Massura festejava e Tomazzini dizia, “cara, fica quieto, eu queimei, não festeja”. O último atleta, Gustavo Borges, recebeu a prova em segundo e nadando de forma brilhante, tocou na frente, em primeiro, vencendo cubanos, canadenses e os imbatíveis americanos, por poucos décimos de segundo. Todos festejam, menos Tomazzini, inconformado com a m... que teria feito. Instantes depois o locutor da competição anuncia: “Os resultados do placar são oficiais !”. Só então Tomazzini explode de alegria. “Ganhamos o revezamento, somos campeões Pan Americanos!”. Alguns minutos depois, Coaracy Nunes, Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, entrega a Tomazzini uma cópia do relatório do sistema de cronometragem eletrônica, aonde, entre outras coisas, vem marcado o tempo de transição dos nadadores do revezamento. Tomazzini fez a transição em 0,00 segundo. Isso mesmo, zero até na segunda casa decimal.
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| Publicado em 23/06/2007 | ||
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Comentário Ouvi esta estória do próprio Marcelo Tomazzini, durante uma clínica de nado peito promovida pela Cia Athletica Campinas. Na foto, os quatro campeões da prova e o Luiz Lima, que ganhou os 400 e os 1500 naquela competiçào. Acredito que esta foto tenha sido feita antes do início das provas, porque o Massura e o Gustavo estão meio barbados. |
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